OFICINAS
INFANTIS:
OUVRIERS
MINEURS DE LA TERRE
“Seja sempre bacana com seus
filhos. São eles que escolherão sua casa de repouso.” (Phyllis Diller)
O OBJETIVO PRINCIPAL É
DESPERTAR A IMAGINAÇÃO E A CRIATIVIDADE
DOS PIMPOLHOS...Surpreender e inquietar a futura geração.Procuramos resgatar a
simplicidade das brincadeiras de antigamente tentando despertar outros desejos
nas crianças além de TV e videogames.
O mundo vive em constante
transformação, as relações familiares não poderiam passar imunes à elas.... Toda
mudança, num primeiro momento, tende a tirar o prumo da vida cotidiana,
induzindo com isso a uma readequação dos valores.
A mulher foi para o mercado
de trabalho, objetivando dar uma vida melhor a seus filhos, entretanto, acabou
sem tempo e muitas vezes sem paciência com eles, isto porque, ela foi
acumulando cada vez mais funções e responsabilidades, que outrora eram
exclusivas do homem. Contudo, as tarefas e obrigações para com o lar e a
família permaneceram; gerando um contexto onde a mulher além de ir para o
mercado de trabalho ainda precisa se desdobrar para conseguir dar conta das
duas coisas simultaneamente...
Através de um pré estudo
feito com amigas Jovens Mães: executivas, empresárias, batalhadoras e guerreiras;
mães que, graças a sua condição financeira alcançada, fruto de sua luta e
sacrifício diário, “literalmente” poderiam dar melhores oportunidades e
condições a suas proles. Todavia, o contexto atual não é este, os pais que
trabalham têm pouquíssimas opções para deixar e
educar seus filhos e na grande maioria, sofrem com a falta de preparo e “amor
no coração”, dos profissionais envolvidos.
ESTUDO PREVIO: O desenvolvimento do indivíduo
inicia-se no período intra-uterino e vai até aos 15 ou 16 anos. Piaget diz que
a embriologia humana evolui também após o nascimento, criando estruturas cada
vez mais complexas. A construção da inteligência dá-se portanto em etapas
sucessivas, com complexidades crescentes, encadeadas umas às outras. A isto
Piaget chamou de “construtivismo sequencial”.
A seguir os períodos em que se dá este
desenvolvimento motor, verbal e mental.
A. Período Sensório-Motor - do
nascimento aos 2 anos, aproximadamente.
A ausência da função semiótica é a
principal característica deste período. A inteligência trabalha através das percepções
(simbólico) e das ações (motor) através dos deslocamentos do próprio corpo. É
uma inteligência iminentemente prática. Sua linguagem vai da ecolalia
(repetição de sílabas) à palavra-frase ("água" para dizer que quer
beber água) já que não representa mentalmente o objeto e as ações. Sua conduta
social, neste período, é de isolamento e indiferenciação (o mundo é ele).
B. Período Simbólico - dos 2 anos aos 4 anos,
aproximadamente.
Neste período surge a função semiótica que
permite o surgimento da linguagem, do desenho, da imitação, da dramatização,
etc.. Podendo criar imagens mentais na ausência do objeto ou da ação é o
período da fantasia, do faz de conta, do jogo simbólico. Com a capacidade de
formar imagens mentais pode transformar o objeto numa satisfação de seu prazer
(uma caixa de fósforo em carrinho, por exemplo). É também o período em que o
indivíduo “dá alma” (animismo) aos objetos ("o carro do papai
foi 'dormir' na garagem"). A linguagem está a nível de monólogo
coletivo, ou seja, todos falam ao mesmo tempo sem que respondam as
argumentações dos outros. Duas crianças “conversando” dizem frases que não têm
relação com a frase que o outro está dizendo. Sua socialização é vivida de
forma isolada, mas dentro do coletivo. Não há liderança e os pares são
constantemente trocados.
Existem outras características do
pensamento simbólico que não estão sendo mencionadas aqui, uma vez que a
proposta é de sintetizar as idéias de Jean Piaget, como por exemplo o
nominalismo (dar nomes às coisas das quais não sabe o nome ainda),
uperdeterinação (“teimosia”), egocentrismo (tudo é “meu”), etc
C. Período Intuitivo - dos 4 anos aos 7
anos, aproximadamente. Neste período já existe um
desejo de explicação dos fenômenos. É a “idade dos porquês”, pois
o indíviduo pergunta o tempo todo. Distingue a fantasia do real, podendo
dramatizar a fantasia sem que acredite nela. Seu pensamento continua centrado
no seu próprio ponto de vista. Já é capaz de organizar coleções e conjuntos sem
no entanto incluir conjuntos menores em conjuntos maiores (rosas no conjunto de
flores, por exemplo). Quanto à linguagem não mantém uma conversação longa mas
já é capaz de adaptar sua resposta às palavras do companheiro.
Os Períodos Simbólico e Intuitivo são
também comumente apresentados como Período Pré-Operatório.
D. Período Operatório Concreto - dos 7 anos aos 11
anos, aproximadamente.
É o período em que o indivíduo consolida as
conservações de número, substância, volume e peso. Já é capaz de ordenar
elementos por seu tamanho (grandeza), incluindo conjuntos, organizando então o
mundo de forma lógica ou operatória. Sua organização social é a de bando,
podendo participar de grupos maiores, chefiando e admitindo a chefia. Já podem
compreender regras, sendo fiéis a ela, e estabelecer compromissos. A
conversação torna-se possível (já é uma linguagem socializada), sem que no
entanto possam discutrir diferentes pontos de vista para que cheguem a uma
conclusão comum.
E. Período Operatório Abstrato - dos
11 anos em diante.
É o ápice do desenvolvimento da
inteligência e corresponde ao nível de pensamento hipotético-dedutivo ou
lógico-matemático. É quando o indivíduo está apto para calcular uma
probabilidade, libertando-se do concreto em proveito de interesses orientados
para o futuro. É, finalmente, a “abertura para todos os possíveis”.
A partir desta estrutura de pensamento é possível a dialética, que permite que
a linguagem se dê a nível de discussão para se chegar a uma conclusão. Sua
organização grupal pode estabelecer relações de cooperação e reciprocidade.
5 - A importância de se definir os períodos
de desenvolvimento da inteligência reside no fato de que, em cada um, o
indivíduo adquire novos conhecimentos ou estratégias de sobrevivência, de
compreensão e interpretação da realidade. A compreensão deste processo é
fundamental para que os professores possam também compreender com quem estão
trabalhando.
A obra de Jean Piaget não oferece aos
educadores uma didática específica sobre como desenvolver a inteligência do
aluno ou da criança. Piaget nos mostra que cada fase de desenvolvimento
apresenta características e possibilidades de crescimento da maturação ou de
aquisições. O conhecimento destas possibilidades faz com que os professores
possam oferecer estímulos adequados a um maior desenvolvimento do indivíduo.
“Aceitar o ponto de vista de Piaget,
portanto, provocará turbulenta revolução no processo escolar (o professor
transforma-se numa espécie de ‘técnico do time de futebol’, perdendo seu
ar de ator no palco). (...) Quem quiser segui-lo tem de modificar,
fundamentalmente, comportamentos consagrados, milenarmente (aliás, é assim que
age a ciência e a pedagogia começa a tornar-se uma arte apoiada, estritamente,
nas ciências biológicas, psicológicas e sociológicas). Onde houver um professor
‘ensinando’... aí não está havendo uma escola piagetiana!” (Lima,
1980, p. 131).
O lema “o
professor não ensina, ajuda o aluno a aprender”, do Método
Psicogenético, criado por Lauro de Oliveira Lima, tem suas bases nestas teorias
epistemológicas de Jean Piaget. Existem outras escolas, espalhadas pelo Brasil,
que também procuram criar metodologias específicas embasadas nas teorias de
Piaget. Estas iniciativas passam tanto pelo campo do ensino particular como
pelo público. Alguns governos municipais, inclusive, já tentam adotá-las como
preceito político-legal.
Todavia, ainda se desconhece as teorias de
Piaget no Brasil. Pode-se afirmar que ainda é limitado o número daqueles que
buscam conhecer melhor a Epistemologia Genética e tentam aplicá-la na sua vida
profissional, na sua prática pedagógica. Nem mesmo as Faculdades de Educação,
de uma forma geral, preocupam-se em aprofundar estudo nestas teorias. Quando
muito oferecem os períodos de desenvolvimento, sem permitir um maior
entendimento por parte dos alunos
A
IMPORTANCIA DA BRINCADEIRA:
Foi constatado, através de estudos que, as
brincadeiras e histórias desempenham um papel fundamental no desenvolvimento
afetivo e cognitivo das crianças.
“Na brincadeira, o que é regra torna-se desejo e
fonte de prazer, o que no futuro, constituirá o nível básico da ação e da
moralidade.” (Vygotsky)
A ação na esfera imaginativa, numa situação de
faz-de-conta, permite a criação da
intenção voluntária, de planos de vida real e do que se quer ou se quer ser.
O contato com o lúdico, com o jogo, com
o faz-de-conta, neste caso, ultrapassa a idéia de diversão e entretenimento e
revela sua importância no desenvolvimento do pensar da criança.
Para Piaget, o comportamento dos seres vivos não é inato, nem resultado de
condicionamentos, mas construído numa interação entre o meio e o indivíduo.
A inteligência do indivíduo, como adaptação a
situações novas, portanto, está relacionada com a complexidade desta interação
do indivíduo com o meio. Em outras
palavras, quanto mais complexa for esta interação, mais “inteligente”
será o indivíduo.
O universo infantil – a importância do lúdico
A imagem
da criança é sempre um mundo de encantamento e mistério. Freqüentemente nos
perguntamos: o que será que essas criaturinhas pensam? Será que verdadeiramente
nos entendem? Será que as entendemos? Inúmeras vezes nos surpreendemos com as
relações inusitadas que elas fazem. A intriga diante do universo infantil
mobilizou pesquisadores e fez nascer teorias valiosas sobre o desenvolvimento
cognitivo e afetivo da criança. Dentre essas pesquisas, não podemos negar as
contribuições de Piaget ou Vygotsky no campo da psicologia cognitiva. E à
psicanálise devemos inúmeras contribuições nos estudos sobre as relações entre
a imaginação e a formação da identidade da criança.
É fato comprovado, que as brincadeiras e histórias desempenham um papel
fundamental no desenvolvimento afetivo e cognitivo das crianças.
Os estudos sobre o jogo infantil possibilitam identificar a construção da
função simbólica que se faz através da representação e permite destacar o
pensamento da ação.
Segundo Vygotsky, na brincadeira os
objetos perdem sua força determinadora sobre o comportamento da criança, pois a
ação, numa situação imaginária, ensina a criança a dirigir seu comportamento
não apenas pela situação que a afeta de imediato, mas pelo significado destas
situações.
A brincadeira fornece um estágio de transição em direção à representação. A
chave da função simbólica é a utilização dos objetos como signos e a
possibilidade de executar com eles ações representativas.
Na brincadeira, o que é regra torna-se desejo e fonte de prazer, o que no
futuro, segundo Vygotsky, constituirá o nível básico da ação e da moralidade. A
ação na esfera imaginativa, numa situação de faz-de-conta, permite a criação da
intenção voluntária, de planos de vida real e do que se quer ou se quer ser.
O contato com o lúdico, com o jogo, com o faz-de-conta, neste caso, ultrapassa
a idéia de diversão e entretenimento e revela sua importância no desenvolvimento
do pensar da criança.
Trabalhando com o Programa Filosofia para Crianças – Educação para o Pensar,
não podemos negligenciar a importância do jogo simbólico no universo da
criança, o que não significa condicionar as aulas de filosofia às brincadeiras,
mas favorecer a transição do pensamento concreto ao abstrato, da imaginação à
vontade consciente de suas intenções e implicações.
1. A literatura infantil e
as novelas filosóficas
Dada a
importância do jogo simbólico no desenvolvimento da criança, não podemos deixar
de falar sobre a importância que a literatura infantil tem adquirido na
educação.
Se tomarmos o uso e a função da narrativa no universo mítico entre os povos
primitivos, devemos reconhecer que o homem se relaciona com o mundo que o cerca,
antes pela emoção do que pela razão. No mito há uma tentativa de
familiarizar-se com o desconhecido como forma de explicá-lo, ou melhor,
acomodá-lo. Não há uma separação entre o natural e o sobrenatural, entre o real
e o fictício, entre o eu e outro. Tudo se relaciona ao todo numa esfera de
representação simbólica que reflete os anseios, os medos e desejos comuns à
humanidade.
Frutos dessa consciência mítica, os contos maravilhosos, as fábulas, as lendas
estavam longe ser literatura para crianças. Tratava-se de um conjunto de
histórias derivadas das tradições de diversos povos, principalmente os
orientais. Tais histórias estavam ligadas aos eternos dilemas que o homem
enfrenta ao longo de seu amadurecimento emocional, ao eterno conflito entre o
eu e o outro, entre o bem e o mal, o vício e a virtude. A função simbólica
destas formas de narrativa permitiu que povos diversos as reconhecessem como um
valioso instrumento de persuasão moral ou de legitimação de valores e regras.
A descoberta da racionalidade científica afastou o homem adulto do elemento
fantástico. A essa fase mágica, já permeada pela preocupação crítica com a
realidade, correspondem às fábulas. Nestas, os animais representam os vícios e
virtudes que caracterizam os homens. Compreende-se, então, porque essa
literatura acabou se transformando em literatura infantil, embora tenhamos que
admitir que as forças da fantasia, do sonho, da imaginação ainda nos fascinam e
a indústria cultural sabe bem disso.
Podemos assim, de certa forma, afirmar que tanto na infância da humanidade como
na infância propriamente dita, se manifesta uma consciência a-histórica, pois
se compreende a vida no presente. Existe aí a diferença entre o viver uma coisa
e conhecer uma coisa, entre a certeza imediata derivada da intuição e o
conhecimento que resulta da experiência intelectual ou da técnica experimental.
Para comunicar a primeira são adequadas as comparações, os símbolos, as
imagens; para as últimas são adequadas as leis, os conceitos, os esquemas.
Assim torna-se fácil entender porque a literatura foi usada, desde suas
origens, como instrumento de transmissão de valores, assim como é fácil
compreender porque essa literatura foi adaptada para as crianças.
Se considerarmos que os valores e padrões sociais, culturais, políticos são
essencialmente abstratos, temos que considerar que dificilmente seriam
compreendidos por mentes propensas a conhecer através de emoções e experiências
concretas. A linguagem literária é a linguagem da representação que pode
concretizar o abstrato através de comparações, imagens, símbolos e alegorias.
Desde o início da história da humanidade essa capacidade de representação tem
sido a mediadora entre a capacidade de percepção intelectual e o amadurecimento
da inteligência reflexiva.
Segundo os psicanalistas, o maravilhoso sempre foi e continua sendo um dos
elementos mais importantes na literatura infantil. Há na estrutura dos contos
de fadas elementos que revelam um maniqueísmo entre o bem e o mal, o belo e o
feio, o poderoso e o fraco que facilita às crianças a compreensão de certos
valores que regem nossa sociedade; todavia, cabe a cada sociedade decidir o que
é bom ou mau, feio ou bonito, justo ou injusto. Ora, se efetivamente queremos
considerar as crianças como agentes ativos e transformadores da sociedade,
temos que pensar em formas de favorecer a reflexão sobre esses valores, aí a
importância de se diferenciar os diversos gêneros da literatura infantil do que
denominamos “novelas filosóficas” no Programa de Filosofia para Crianças.
Comecemos com a fábula: podemos dizer que é uma narrativa de natureza simbólica
de uma situação vivida por animais, que alude a uma situação humana e tem por
objetivo transmitir certa moralidade. Seus personagens são sempre símbolos,
representam algo num contexto universal, como o leão símbolo de força ou a
raposa símbolo de astúcia.
Afirma La Fontaine “Sirvo-me de animais para instruir os homens... Procuro
tornar o vício ridículo por não poder atacá-lo com o braço de Hércules... Uma
moral nua provoca tédio: O conto faz passar o preceito com ele, nessa espécie
de fingimento é preciso instruir e agradar.”
A lenda é uma narrativa cujo argumento é tirado da tradição. Consiste num
relato onde o maravilhoso e o imaginário superam o histórico.
Os contos maravilhosos caracterizam-se por personagens que possuem poderes
sobrenaturais que, contrariando as leis, sofrem metamorfoses, defrontam-se com
as forças do bem e mal, sofrem profecias que se cumprem, são beneficiadas com
milagres; enfim, as narrativas decorrem do mundo da magia onde tudo escapa às
limitações e contingências da vida humana e se resolve por meios sobrenaturais.
Os contos de fadas, de origem celta, falam-nos de heróis cujas aventuras
estavam ligadas aos mistérios do além e visavam à realização do interior
humano, daí a presença da fada, cujo nome vem do verbo latino “fatum” que
significa destino. A fada exerce um fascínio especial entre as crianças, pois
encarna a possibilidade de realização de sonhos ou desejos.
Os contos exemplares são narrativas breves muito freqüentes na literatura
infantil. Registram situações retiradas do cotidiano e encerram uma moralidade,
que se institui como exemplo de conduta. Trocam o fantástico pelo realismo.
Os contos jocosos são da mesma natureza que os contos exemplares: narrativas
breves e centradas no cotidiano. Diferenciam-se apenas na comicidade,
aproximam-se das anedotas, porém possuem uma intencionalidade crítica mais
contundente.
Outra forma bastante explorada na literatura infantil são os chamados contos
acumulativos. Pequenas histórias encadeadas, muito populares e divertidas, que
podem apresentar um desafio à articulação da fala.As crianças geralmente os
encaram como um jogo.
Aqui há uma seleção de apenas alguns elementos que compõem as principais formas
da narrativa presentes na literatura infantil através de um recorte didático.
No entanto, é preciso considerar que a obra é um todo e que essa análise só
ganha sentido quando estamos empenhados em conhecer a essência e valor de cada
gênero para os objetivos que queremos atingir. Não é possível negar a riqueza
da literatura infantil e não considerar sua importância para a formação moral e
a construção da identidade da criança. Não resta dúvida de que a literatura
infantil não só pode, mas deve estar presente na escola.
Mas será que as principais formas de narrativa comuns na literatura infantil
atenderiam aos objetivos do Programa de Filosofia para Crianças?
Poderíamos utilizar todo e qualquer texto narrativo para quaisquer objetivos?
A fim de responder essas questões, seria importante perguntar: com quais
finalidades Matthew Lipman, criador do Programa de Filosofia para Crianças,
utiliza as “novelas filosóficas” para iniciar as crianças no trabalho de
investigação filosófica? Por quê novelas?
Há três formas básicas para o gênero narrativo: o conto, a novela e o romance.
Abordarei apenas as características essenciais do conto e da novela, pois são
os gêneros que nos interessam de imediato.
O conto, gênero mais utilizado na literatura infantil, corresponde a um fragmento
de vida, a um momento significativo que permite ao leitor intuir o todo ao qual
aquele fragmento pertence. Tudo no conto é condensado: a história se desenvolve
em torno de uma única ação ou situação.
A novela é uma longa narrativa estruturada por várias pequenas narrativas. Essa
estrutura permite uma visão de mundo mais complexa que não aponta para um
centro principal; daí os diversos acontecimentos se apresentarem independentes
e válidos em si. A compreensão do universo como algo heterogêneo e multiforme,
onde coisas díspares acontecem ao acaso, corresponde a uma estrutura também
heterogênea.
Ora, essa heterogeneidade e a diversidade de situações permitem ao leitor
avaliar, comparar e buscar critérios para a solução de problemas ou para seus
juízos, alargando o campo conceitual e valorativo. Mas qual a relação entre a
novela, enquanto gênero narrativo, e a filosofia?
Segundo Lipman, a filosofia deve estimular o uso de ferramentas que permitem a
reflexão, tais como: o conhecimento dos princípios que sustentam nossas crenças
e o reconhecimento dos limites desses princípios, a possibilidade de opor,
comparar, aprofundar a investigação considerando múltiplas situações e pontos
de vista.
Como fazer esse trabalho com crianças distantes do universo abstrato dos
conceitos? Tornando a filosofia constante busca de significados na experiência
concreta e cotidiana. O desafio é conciliar as regras da razão com a imaginação
criadora de novos significados.
“Geralmente as crianças têm curiosidade sobre o mundo e essa curiosidade se
satisfaz parcialmente com as informações factuais e explicações que lhes dêem
sobre as causas ou propósitos das coisas. Mas às vezes as crianças querem mais.
Querem interpretações simbólicas e não só interpretações literais.
Para isso voltam–se para os jogos, para os contos de fada, para o folclore...
Por outro lado, a literatura infantil geralmente é escrita para crianças em vez
de pelas crianças... Ao contar uma história devemos saber o que estamos
fazendo. O conto de fadas é cativante e sedutor. Ele fascina os ouvintes e
encanta desde as primeiras palavras “era uma vez”. Encontramos muito prazer na
criatividade com que nos expressamos nessas histórias. Mas será que ao imaginar
por elas não estamos privando as crianças da sua imaginação? Se os adultos
devem escrever para crianças, deveriam fazê-lo só o necessário para liberar
seus poderes literários e imaginativos” (Lipman, A filosofia na sala de aula,
p. 59 e 60)
Há pistas aqui para pensarmos que as novelas filosóficas não são apenas algumas
estorinhas que servem como pretexto para o diálogo entre crianças, mas sim
textos que se abrem ao leitor enquanto reflexão e imaginação.
Nesse caso, não é qualquer forma de narrativa que serviria às finalidades do
Programa de Filosofia para Crianças. A narrativa deve atender a uma
multiplicidade de visões ou situações que permitam o diálogo entre a obra e o
leitor e, posteriormente, entre os leitores que devem recriar e criar o seu
pensar em uma comunidade investigativa. As interpretações simbólicas devem
criar significados e os significados devem ser multiplicados e analisados pelas
ferramentas da razão.
Isso não significa descartar a importância da imaginação no desenvolvimento da
criança e torná-las pequenos gênios insuportáveis, mas oferecer uma obra aberta
que permita às crianças pensar suas representações e criar soluções para os
enigmas que aparecem através de um esforço racional que deve levar em conta a
afetividade e o desejo.
Vejamos como isso acontece com a novela “Rebeca” de Ronald Reed: temos na
novela elementos presentes no imaginário das crianças, oriundos dos contos de
fadas: sapos e príncipes, elefantes que voam, transformações, magia, etc.
O formato da narrativa que pode encantar ou fazer rir, busca problematizar.
Realidade e ficção são colocadas sob o prisma da investigação, não há de
antemão o certo e o errado, o falso e o verdadeiro, o feio e o bonito. O
narrador não só conta, mas pergunta. Chama os leitores ou ouvintes ao diálogo.
Desconhece a solução, mas a busca. É essa busca que caracteriza a filosofia e é
essa ânsia da busca que queremos incentivar nas crianças.
Por isso temos que escolher criteriosamente os meios para que possamos alcançar
os fins que desejamos. O maniqueísmo presente nos contos de fada e a estrutura
coesa dos contos infantis podem inserir nossas crianças no universo dos valores
e da cultura, podem favorecer o senso estético pela riqueza ou unidade da obra,
mas nem sempre são boas ferramentas de problematização e
investigação.
OBJETIVOS:
- resgatar a simplicidade
das brincadeiras de antigamente a fim de despertar outros desejos nas crianças
além de TV e videogames.
- não basta mostrar, é
preciso ORIENTAR, EXPLICAR, DEMONSTRAR.
- desenvolver atividades que
possam vencer o tédio do dia a dia com atividades que contribuam para o desenvolvimento
de seus entes queridos.
- Sensibilizar as crianças
sobre a importância de viver em equilíbrio com a Natureza e conscientizar sobre
o reaproveitamento tendo-se em vista o Conceito físico da MATÉRIA
- Brincadeiras manuais,
artesanais e criativas
- Artigos educacionais e
recreativos
OFICINAS FADAS:
ATIVIDADE PRÁTICA:
Pré-requisito: pedir para
criança juntar, no decorrer da semana anterior à oficina, “coisas” e objetos
que normalmente seriam descartados. Como por exemplo: pote de Danone, shampoo,
margarina, garrafas de suco, refri, etc, etc, etc...