terça-feira, 24 de julho de 2012

alcance do ESTADO DE GRAÇA - por Clarice Lispector






 Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres (LISPECTOR, Clarice - 1973)
 Neste livro, a autora descreve a relação que a personagem Lóri estabelece com a divindade alcançando um  “estado de graça”, assim como da compreensão que esta elabora a respeito do que foi vivido, para
depois desenvolver uma reflexão sobre as imagens envolvidas nesse movimento de descrever e compreender a graça.
Sem entrar na problematização do que seja de fato "estar pronto", importa aqui, pontuar os fatos que antecedem o momento em que Lóri vive o estado de graça.
Pois bem, a entrada de Lóri no estado de graça se dá a partir de um fato trivial do dia-a-dia – como, aliás, acontece com tantas personagens de Clarice que, a partir de algo simples do cotidiano, têm profundas experiências que poderíamos chamar de estéticas, filosóficas, existenciais ou religiosas, de acordo com seu contexto próprio.
Lóri vê uma maçã sobre a mesa, se põe a contemplá-la, toma-a nas mãos, dá-lhe uma mordida (LISPECTOR, 1980, p.146).
A mordida, então, parece ser a senha que a coloca em uma vivência inteiramente nova, ou seja, é por um ato de incorporação que tem início o que ela chamará de estado de graça. E, oh Deus, como se fosse a maçã proibida do paraíso, mas que ela agora já conhecesse o bem, e não só o mal como antes.
Ao contrário de Eva, ao morder a maçã entrava no paraíso.  Só deu uma mordida e depositou a maçã na mesa - porque alguma coisa desconhecida estava suavemente acontecendo. A maçã tem duplo movimento, como uma porta, que permite a passagem para dentro ou para fora.
 Se a maçã do Gênesis é o que leva à queda, a maçã de Lóri a leva ao paraíso, a maçã que se encontra naturalmente colocada na fruteira; é simples objeto do mundo. É no mundo, portanto, que se dá a graça de Lóri, a condição e a verdade é vivenciada por ela, quando diz que a graça é um estado em que “sem esforço, sabe-se”, como um conhecimento a que se chega sem o intercurso direto da razão. Graça e fé seriam então duas faces do mesmo símbolo que em seu todo seria a condição da verdade, assim como da felicidade. A maçã é o símbolo cristão inequívoco da entrada na condição humana, que é a condição limitada. O paraíso perdido/desconhecido passa a ser, para Lóri, o paraíso de alguma maneira alcançado pela graça.
No contexto da descrição da vivência de Lóri é possível pensar que o próprio ato de denominar o que foi vivido como o estado de graça é um sinal da liberdade. Lóri denominou a experiência pela qual passou como graça; o que viveu não tinha nome, era uma pura experiência de prazer corporal e felicidade em estar no mundo. Mas ela o denomina graça, e o faz em liberdade. O que se ganha, através da experiência da fé e da graça, é o mundo, e não, um outro mundo ao qual só teríamos acesso em um além da morte. Nas palavras de Clarice, o que Lóri vivenciou “era como se o anjo da vida viesse anunciar-lhe o mundo”.
O mundo que Lóri ganhava – outra vez – era agora um mundo aberto ao amor. Sente que não poderia viver permanentemente na graça porque assim se desligaria do mundo e da compaixão pelo sofrimento humano.
O que está em jogo aqui é o difícil problema da liberdade em face da fé.
Se há Deus, o que resta de liberdade ao homem


Era o começo – de um estado de graça (LISPECTOR, 1980, p.146). A partir desse momento, Lóri sente uma espécie de “bem-aventurança física que a nada se comparava”, e tem a experiência direta da “dádiva de existir materialmente”.
Não era porém, algo semelhante à inspiração do artista, pois o estado de graça não servia para nada, não produzia nada, pelo menos não diretamente. Era uma felicidade que se confundia com prazer e lucidez, era a vivência comum de uma pessoa comum, que de repente tinha a chance de entrar em relação direta com o que a cercava.
No estado de graça, via-se a profunda beleza, antes inatingível. Tudo, aliás, ganhava uma espécie de nimbo que não era imaginário: vinha do esplendor da irradiação quase matemática das coisas e das pessoas.
Passava-se a sentir que tudo o que existe – pessoa ou coisa respirava e exalava uma espécie de finíssimo resplendor de energia. Esta energia é a maior verdade do mundo e é impalpável (LISPECTOR, 1980, p. 147).
Era também uma experiência indizível e incomunicável – mas Clarice não se furta a tentar comunicá-la. E, por fim, a saída deste estado foi tão leve quanto tinha sido a entrada nele.
Depois de ter saído, não adiantava desejar voltar, pois a graça só vinha espontaneamente.
Lóri reflete sobre o que tinha vivenciado, considera que o Deus estava certo ao não conceder a graça frequentemente e nem por muito tempo, pois assim, correr-se-ia o risco de não mais voltar para a experiência comum, perdendo a possibilidade do amor e da compaixão pela humanidade (LISPECTOR, 1980, p. 149).
A vivência da graça é também entendida por Lóri como algo que parecia redimir a condição humana, embora ao mesmo tempo ficassem acentuados os limites desta condição. Porque depois da graça a condição humana se revelava na sua pobreza implorante, aprendia-se a amar mais, a esperar mais. Passava-se a ter uma espécie de confiança no sofrimento e em seus caminhos tantas vezes intoleráveis (LISPECTOR, 1980, p. 150).
Portanto, depois do rompimento dos limites da condição humana, o que se  tem é um retorno a estes limites, com maiores possibilidades de amor, compaixão, paciência.
A experiência da graça é tida por ela como incomunicável, como assemelhada ao silêncio da experiência mística que acompanha toda a tradição cristã, e provavelmente todas as tradições em que a experiência religiosa individual é valorizada.
 Se o paradoxo não pode ser penetrado pela razão, pode ainda ser apontado, ilustrado e descrito, mesmo que isso causa escândalo.
compreensão da experiência da graça vivida pela personagem, torna-se um importante momento epifânico no conjunto do romance: momento em que a vivência do eterno – ou daquilo que escapa à temporalidade – invade o cotidiano de forma inequívoca.
O estado de graça vivido por Lóri, é o de uma pessoa comum, sendo portanto, acessível a todos: Que a graça é dada por Deus, é uma condição a que não se tem acesso por si só; que ao aceitar a graça move-se na liberdade e o que se obtém após a graça é o mundo, mas agora um mundo amado. A idéia é que a graça, é algo acessível a todos e se dá na vida comum. A partir do que poderia ser um fato trivial do dia a dia – a mordida na maçã –inicia-se  experiência?
 Alceu Amoroso Lima responde a Clarice, em entrevista a ela concedida, a respeito desta questão: “A grandeza do homem está precisamente em ser o único animal que tem o dom de negar a Deus. E, portanto, o mérito de o reconhecer livremente”. Pela fé, ganha-se o mundo outra vez. A fé, sendo o movimento absurdo que se revela pela aceitação de um sentido que está fora do alcance humano, permite que o que está dentro dos limites humanos seja vivido de forma plena. Desta forma, mesmo colocado diante da graça, cabe ao homem um movimento dentro da liberdade para que a graça de fato se realize. Não é possível provocar o estado de graça, mas também não é possível fruí-lo sem consentir em seu movimento. Traz em seu movimento uma renúncia e um desejo – aceita-se perder o mundo ainda desejado, e ao aceitar a perda, pode-se tê-lo de volta. Porque a fé é um entregar-se à vontade de Deus, com a confiança em seu amor. Sobre isso nos fala Johannes de Silentio: “... pois o movimento da fé deve ser continuamente efetuado em virtude do absurdo, mas, por favor perceba, de modo a que não se perca o finito, mas que este seja ganho inteiro e intacto." A fé, efetua um movimento circular que retorna ao ponto de onde partiu: aceita-se perder o mundo finito, mas ao final do movimento é este mesmo mundo que é obtido de volta. O mundo obtido de volta, entretanto, é possuído de modo novo, através da instauração de uma nova relação entre o homem e o mundo, “porque aquele que possui o mundo inteiro como se não o possuísse tem o mundo todo – de outra forma é possuído pelo mundo” (KIEKEGAARD)
Se a experiência de Lóri pode ser compreendida como um transitório rompimento dos limites humanos, na medida em que é “uma pequena abertura para o mundo que era uma espécie de paraíso”, é um rompimento que, ao ter fim, devolve aquele que o viveu ao mundo ordinário, porém, com mais possibilidades de amar, esperar e ter compaixão, pois “exatamente porque depois da graça a condição humana se revelava na sua pobreza implorante, aprendia-se a amar mais, a esperar mais”.
 É uma vivência de rompimento de limites que faz aumentar a consciência destes mesmos limites.
No relato do estado de graça vivido por Lóri, penso que não é descabido considerar que ela esteve, ao longo da experiência, movendo-se na fé, pois acreditou que o que vivia era a graça e que esta era um dom do Deus.
Após a experiência, estava pronta. Arriscando-se a perder o mundo, pois permanecer na graça seria perder a “linguagem comum", que a unia à humanidade, ganhou-o. Desejando permanecer na graça, aceitou voltar; caída então outra vez na condição humana, pôde vivê-la de outro modo: estava renascida!











 


















GRAÇA, é meu nome!










Meu nome é Maximina Judith Rodrigues Graça, mais conhecida como: NINA GRAÇA! Tal fato, estimulou-me a pesquisar a palavra e me levou a perceber que, é isso exatamente que busco, atingir tal estado. Este por sua vez, já está contido na minha pessoa (literalmente e simbolicamente rs), esperando para ser desperto!
O tão almejado ESTADO DE GRAÇA!


 O que é graça?
 O vocábulo Graça provém do latim gratia, que deriva de gratus (grato, agradecido) e que em sua primeira acepção, designa a qualidade ou conjunto de qualidades que fazem agradável a pessoa que as têm.
Graça é um conceito teológico fortemente enraizado no judaísmo e no cristianismo, definido como um dom gratuito e sobrenatural dado por Deus para conceder à humanidade todos os bens necessários à sua existência e à sua salvação.
Esta dádiva é motivada unicamente pela misericórdia e amor de Deus à humanidade, logo, movida por Sua iniciativa própria, ainda que seja em resposta a algum pedido a Ele dirigido.
Segundo a Igreja Católica, a graça é um dom universal e "socorro gratuito que Deus nos dá" para sermos "capazes de agir por amor d’Ele", para satisfazermos as nossas justas necessidades espirituais ou materiais e também para tornar-nos filhos de Deus e "participantes da natureza divina, da Vida Eterna" . Aliás, "a própria preparação do homem para acolher" livremente a graça divina "já é obra da graça" e da predestinação (não-absoluta) de Deus.
 Existem vários tipos de graça, como por exemplo:
- a graça habitual ou santificante (considerada também a graça primeira): é a origem, o início e a responsável pela justificação, conversão e santificação dos homens e por isso "nos foi merecida pela paixão de Cristo e nos foi dada no batismo". Por outras palavras, é o princípio e a estrutura da vida sobrenatural, que nos faz participantes da natureza divina, templos do Espírito Santo, filhos adoptivos de Deus, irmãos de Jesus Cristo, justos e agradáveis a Deus e capazes de merecer sobrenaturalmente e de penetrar na intimidade do próprio Deus. Com esta graça, são concedidas ao Homem as capacidades de operar sobrenaturalmente, a saber: as virtudes infusas ou sobrenaturais e os dons do Espírito Santo.
 O exercício, impulsionado pelas graças actuais, faz parte dos principais meios de santificação. O progresso neste exercício leva aos frutos do Espírito Santo e às bem-aventuranças. A graça santificante perde-se pelo pecado mortal, mas não pelo pecado venial ou pelas penas temporais devidas ao pecado.
- as graças actuais: são "dons circunstanciais" atribuídos especialmente ao Espírito Santo ou "intervenções divinas na vida do homem", para que ele possa continuar a acolher e colaborar com a graça e prosseguir o seu caminho de santificação. A graça actual leva o pecador à conversão e a pessoa em estado de graça à procura e ao exercício dos meios de santificação. Esta graça pode ser “eficiente” se uma vez acolhida produz o seu efeito, mas é “suficiente” quando, recusada ou não aproveitada, fica sem produzir efeito.
- as graças sacramentais: são dons que o cristão recebe por meio dos sete sacramentos da Igreja e que pode ajudá-lo "a colaborar na salvação dos outros homens.
- as graças especiais ou carismas: são concedidos especialmente pelo Espírito Santo para servir "o bem comum da Igreja", sendo exemplos disso o dom de línguas e "as graças de estado.
Uma pessoa que está em Estado de Graça vive na amizade e amor de Deus e, se nela morrer, vai para o Céu, pela graça santificante. Por outras palavras, é aquele que não está manchado pelo pecado mortal mas.
A Igreja Católica defende que a justificação (acção misericordiosa e gratuita de Deus de conceder a salvação à humanidade), e, portanto, também a graça, podem ser recusados livremente pelo Homem porque "Deus age de forma livre, concedendo a graça, e a resposta do homem também deve ser livre, pois «a alma só pode entrar livremente na comunhão do amor. Por isso, pode-se dizer que "a concretização da salvação de cada pessoa depende também da sua adesão de fé e caridade ao Salvador", estabelecendo-se assim uma colaboração indissociável entre a graça e o livre-arbítrio do Homem de escolher entre a redenção e a perdição. Daí o facto de existirem pessoas que, depois de morrerrem, vão para o Inferno, em vez de alcançarem a plena santidade, que é o desejo e a vontade de Deus para todo o género humano.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

De onde surgem as idéias?!?

Como desponta a inspiração? continuação

Iniciei uma serie de testes e experimentos no jardim.
Com sementes, galhos, penas, fios, terra, plantas... De iníco, fazia seres bem pequenos, depois parti para uma versão maior e agreguei ao trabalho, o simbolismo da figura da boneca.

E, meio como que num passe de mágica, os seres vão "BROTANDO", alguns como a Rave-Eve, nem existem mais, outros, foram se metamorfoseando com o transcorrer do tempo!
RAVE-EVE (eliminada pela seleção natural)


Pasmem agora: Este  ser, é uma das fases da metamorphose da figura logo na sequencia: 







Vocês notarão que, as modificações são mais bruscas e visíveis da primeira para segunda fase. Desta para terceira as modificações são menos chamativas. PERCEBEM?!?



Das coisas nascem coisass...

DE ONDE VEM A "INSPIRAÇÃO"?!?



Gente, vou tentar compartilhar com vocês as fases de um trabalho: inspirações, pesquisas, referências, influências... Isto é, a constante Metamorphose no decorrer do processo criativo!



Na época, eu estava muito influenciada pelas teorias do Karin Rashid e por 1 livro do Jorge Luiz Borges que estava lendo -O LIVRO DOS SERES IMAGINÁRIOS (incrível, por sinal). Somaram-se a esses fatos minha antiga paixão pelos insetos, atomos, bactérias, entre outras tantass.....
Fui colando, descolando, recortando, pilotando...E assim foram "surgindo" os "Seres e Criaturas".


A TESOURA nessa época,  tornou-se amiga inseparável e companheira de todas as horas...Pilhas de imagens...

Confessando secretamente, a tesoura virou 1 vício, tanto que meu dedo nunca mais foi o mesmo (fazia bolha, estourava, sangrava, machucava por cima, e eu lá, a recortar...)




  Então,cada vez mais depressa, num ato meio inconsciente, os personagens foram despontando: uns mais simpáticos, outros mais assustadores; uns mais modernos, outros mais clássicos...

Ainda nã acabei, aliás, confesso que não sei se terá 1 fim...rs


Estava feliz com as colagens, até que certo dia, ganhei 1 óculos 3D, foi quando tudo mudou....Já não me contetava com o plano, queria uma tridimensionalidade! Tive então, a idéia de reaproveitar algumas bonecas antigas que eu havia guardado desde a infância cujos cabelos, estavam esfarelando por causa do desgate do tempo! Foi quando comecei a seleção de possíveis materiais.


 Percebi, que possuia "acumulações" que juntava a anos, pensando: VOU FAZER  ALGO COM ISSO UM DIA! Mas esse dia, nunca chegava, tinha coisas que guardava desde a infância!
Tudo que eu via jogado eu queria catar, não podia ver 1 caçamba! (rs)
Até ai tudo bem...Mas fui me perdendo no meio de tantas coisas...Meus amigos começaram a me alertar que eu estava me tornando ACUMULADORA, não queria admitir, brigava até, mas no fundo, eu sabia que era a mais pura verdade! Eles foram aos poucos me ajudando na organização e descarte de exedentes.(distaco que foi um processo complicado e imprescindível para que eu pudesse "organizar as idéias" e conseguir focar!







quarta-feira, 4 de abril de 2012

NIX e ÉREBRO - filhos do Caos



FILHOS DO CAOS: Nix e Érebro
Os filhos de Caos nasceram de cisões assim como se reproduzem os seres unicelulares. Nix (Noite) e Érebus (Escuridão) nasceram a partir de "pedaços" do Caos. E do mesmo modo, os filhos de Nix nasceram de "pedaços" seus; como afirma Hesíodo: sem a união sexual. Portanto a família de Caos se origina de forma assexuada.



NIX, a Noite: é uma deusa primordial, nascida do Caos, segunda criatura a emergir do vazio.
Isso significa que Nix era irmã de algumas das mais antigas deidades do mito grego, incluindo Erebo (a Escuridão), Gaia (a mãe Terra), Tártaro (Trevas abismais) e Eros (o amor da criação). Dessas forças primordiais sobreveio o resto dos deuses e deusas gregas.
Nix, é a patrona das feiticeiras, a deusa dos segredos e mistérios noturnos, rainha dos astros da noite. Em certas tradições, acredita-se que, todo universo e todos os Deuses nasceram de seu Ovo Cósmico.
Desposou Érebo, seu irmão, de quem teve o Éter (luz celestial) e Hemera (Dia). Mas sozinha, sem se unir a nenhuma outra divindade, procriara o inevitável e inflexível Moros (o Destino), as Queres (morte em batalha), os gêmeos Tânatos (Morte) e Hipnos (o Sono), Oniro (a legião dos Sonhos), Momos (escárnio), Oizus (miséria), as Hespérides, guardadoras dos pomos de ouro, as desapiedadas Moiras (Deusas do destino), Nêmesis (Deusa da retribuição), Apate (engano,fraude), Filotes (amizade) , Geras (velhice) Éris (Discórdia), Limos (a fome), Ftono (inveja), Ênio (Belona, deusa da carnificina), Lissa (a loucura) e Caronte o barqueiro do mundo dos mortos.
Certos poetas a consideram como mãe de Urano e de Gaia; Hesíodo dá-lhe o posto de Mãe dos Deuses, porque sempre se acreditou que a Nix e Érebo haviam precedido a todas as coisas. Muito freqüentemente colocam-na no mundo subterrâneo, entre Hipnos e Tânatos, seus filhos.
Hemera e as Hespérides nasceram para ajudá-la a não se cansar, assim nasceu o ciclo diário, Hemera trás o dia (relaciona com Eos, a aurora, e Helios, o Sol) ; as Hespérides trazem a tarde, (relaciona com Selene a lua) e Nix traz a absoluta Noite, todas estas deidades em conjunto conduzem a dança das Horas; complementando estes ciclos temos outros Deuses de outras linhagens, como as Horas que representam ciclos mensais e anuais; Leto e Hécate que recebem o legado de Nix como deidade da noite.
Para evitar pronunciar seu nome, também a chamavam de Eufrone e Eulália. Suas filhas Hemera e Hespérides foram criadas para ajudá-la, com isso nasceu o ciclo diário. Hemera traz o dia, e as Hespérides trazem a tarde, Nix por sua vez traz a noite absoluta. (figura anexa)

As Moiras, filhas de Nix (Cloto, Laquesis e Átropos), são outra continuidade dos poderes gigantescos de Nix do negro véu.
Em sua Teogonia, Hesíodo descreve a residência proibida da Noite:
”Lá também está a melancólica casa da Noite; nuvens pálidas a envolvem na escuridão; Antes delas, Atlas se porta, ereto, e sobre sua cabeça, com seus braços incansáveis, sustenta firmemente o amplo céu, onde a Noite e o Dia cruzam um patamar de bronze e então aproximam-se um do outro”
Acreditava-se que possuía total controle sobre vida e morte, tanto de homens como de Deuses. Homero se refere a ela com o epíteto "A domadora dos Homens e dos Deuses", demonstrando como os outros Deuses respeitavam-na e temiam esta poderosíssima deidade uma vez que, podia transformá-los em meros mortais...
Ela possuía um capuz que a tornava invisível a todos, assistindo assim ao universo sem ser notada.
Aparece ora como uma deusa benéfica, simbolizando a beleza da noite e ora como cruel deidade Tartárea, que profere maldições e castiga com terror noturno. É também uma Deusa da Morte, a primeira rainha do mundo das Trevas.
Possuia dons proféticos, e foi ela quem criou a arma que Gaia entregou a Cronos para destronar Urano.
Mas seu maior trunfo de todos, era que, conhecia o segredo da imortalidade dos Deuses podendo tirá-la e transformar um Deus em mortal, como ela fez com Cronos, após este ser destronado por Zeus.
Os Filhos de Nix, São a Hierarquia e poder para os Deuses, Sua Maioria são divindades que Habita o mundo subterrâneo e representam forças indomáveis e que nenhum outro deus poderia conter.

ÉREBRO, a escuridão: Segundo a Teogonia, de Hesíodo, Érebo (do grego: Ἔρεβος, Erebos, "sombra" ou "escuridão profunda") era, na mitologia grega, a personificação da escuridão, mais precisamente o criador das Trevas. Tinha seus domínios demarcados por seus mantos escuros e sem vida, predominando sobre as regiões do espaço conhecidas como "Vácuo" logo acima dos mantos noturnos de sua irmã Nix, a personificação da noite.
Sendo um dos filhos de Caos, Érebo juntamente de sua irmã gêmea, Nix, nasceram de cisões assim como se reproduzem os seres unicelulares; a partir de "pedaços" de Caos, Érebo e Nix passam a ser os mais velhos imortais do universo, logo após Caos,com Nix, gerou mais dois deuses primordiais: o Éter (conhecido como a Luz celestial) e Hemera (o Dia).
Foi conhecido por ser um dos maiores inimigos de Zeus. Conta-se que os Titãs pediram socorro a Erebus e pessoalmente o primórdio desceu até o Tártaro para libertar os filhos de Gaia, porém foi surpreendido por Zeus e Hades que tiveram a ajuda de Nix para lançar Erebus nas profundezas do rio Aqueronte, a fronteira dos dois mundos.
Na medida em que o pensamento mítico dos gregos se desenvolveu, Érebo deu seu nome a uma região do Hades, por onde os mortos tinham de passar imediatamente depois da morte para entrar no Hades. Após Caronte tê-los feito atravessar o rio Aqueronte, entravam no Tártaro, o submundo propriamente dito.
O Érebo, filho do Caos, irmão e esposo da Noite, pai do Éter e do Dia, foi metamorfoseado em rio e precipitado nos Infernos, por ter socorrido os Titãs. Faz parte do Inferno e é mesmo considerado como o próprio Inferno. Pela palavra Éter, os gregos compreendiam os Céus, separados dos corpos luminosos. O vocábulo dia, sendo feminino em grego (Hèméra); dizia-se que o Éter e o Dia foram o pai e a mãe do Céu. Essas estranhas uniões significam somente que a Noite existia antes da criação, que a Terra estava perdida na obscuridade que a cobria, mas que a Luz, penetrando através do Éter, havia aclarado o universo.

Em linguagem de menor valor mitológico, poderia se simplificar, e dizer que a Noite e o Caos precederam à criação dos céus e da luz

No princípio havia o Caos. Havia apenas silêncio e vazio



MATÉRIA PRIMA ELEMENTAR!



No Universo, a vida pode ser rara ou até singular, porém a matéria de que é feita é elementar! Com o transcorrer do tempo, uma quantidade cada vez maior de matéria inerte ganhou vida.
As primeiras tentativas do homem de explicar a origem do mundo foram através dos mitos. A mitologia grega, por exemplo, diz que no princípio havia o Caos, e em algum momento surgiu Erebus, o lugar desconhecido onde a morte mora, e Nix, a noite. Havia apenas silêncio e vazio. Então, Eros (Amor) nasce, do ovo da Noite (Nix), produzindo um início de ordem.
Se faz Luz e Dia, e a terra (Gaia) aparece.
Erebus e Nix copulam e dão nascimento a Éter, a luz celestial, e Dia, a luz terrena. Gaia, por si só, gera Urano, o céu. Urano torna-se o esposo de Gaia e a cobre por todos os lados. Da união de Urano e Gaia surgem todas as criaturas, Titãs, Ciclopes e Hecatonquiros.................



O estado primordial e primitivo do mundo é o Caos, trata-se de uma MATÉRIA que existia desde tempos imemoriais, sob uma forma vaga, indefinível e indescritível.
Uma enorme e confusa massa, onde jaziam latentes as sementes das coisas, a MISTURA PRIMORDIAL DOS ELEMENTOS...
Antes da criação, tudo se apresentava sob um aspecto diferente do atual: a terra, o mar e o ar encontravam-se misturados. A Terra não era sólida, o Mar não era líquido e o Ar não era transparente.
Os filhos de Caos ( Nix e Érebus) nasceram a partir de cisões; assim como se reproduzem os seres unicelulares, sem a união sexual. Nix (Noite) e Érebus (Escuridão- o lugar desconhecido onde mora a Morte) seriam então, "pedaços" do Caos.
Caos, parece ser um deus andrógino, trazendo em si tanto o masculino como o feminino. (esta é uma característica comumente dada aos deuses primogênitos de várias mitologias). Segundo o poeta romano Higino, ele seria masculino e possuiria uma contraparte feminina chamada Calígena "a Névoa primordial".
Ele é descrito como sendo uma força, sem forma ou aparência e isto não é totalmente uma inverdade, uma vez que, tanto Caos, como Eros, eram representados como forças nesse "estado" e Eros, simbolizado por uma pedra.
Outra problemática é considerar Caos como o pai-mãe de Gaia, Tártaro e Eros, quando é somente genitor de Nix e Érebo.
Caos, parece ser uma força mais primitiva, enquanto Eros, uma força mais aprimorada. Caos significa algo como "corte", "rachadura", "cisão" ou ainda "separação", já Eros (ou o Amor) é o princípio que produz a vida por meio da união dos elementos (masculino e feminino).
Se Caos gera através da separação e distinção dos elementos, e Eros através da união ou fusão destes, parece mais lógico que a ideia de confusão e de indistinção elemental pertença a Eros; ele age de tal modo sobre os elementos do Mundo, que poderia fundi-los numa confusão inexorável. Assim, seu irmão Anteros equilibra sua força unificadora através da repulsa do elementos.

Eros e Anteros

Foi pela intervenção de um poder divino, eterno como os elementos do próprio Caos, pela intervenção manifesta de um deus que, sem ser propriamente o amor, tem entretanto alguma conformidade com ele, que o Caos, a Noite, o Érebo puderam unir-se para a procriação.
Em grego, esse deus antigo, ou melhor, anterior a toda antigüidade, chama-se Eros. É ele que inspira ou produz esta invisível simpatia entre os seres, para os unir em outras procriações. O poder de Eros vai além da natureza viva e animada: ele aproxima, une, mistura, multiplica, varia as espécies de animais, de vegetais, de minerais, de líquidos, de fluídos, em uma palavra, de toda a criação. Eros é pois o deus da união, da afinidade universal; nenhum outro ser pode furtar-se à sua influência ou à sua força: Eros é invencível.
Entretanto, tem como adversário no mundo divino - Anteros, isto é, a antipatia, a aversão. Esta divindade tem todos os atributos opostos aos do deus Eros: separa, desune, desagrega. Tão salutar, tão forte e poderoso talvez como Eros, Anteros impede que se confundam os seres da natureza dissemelhante; se algumas vezes semeia em torno de si a discórdia e o ódio, se prejudica a afinidade dos elementos, ao menos a hostilidade que entre eles cria contém cada um nos limites marcados, e destarte a natureza não pode cair novamente no caos.

terça-feira, 27 de março de 2012

REMODELANDO A MATÉRIA E RENOVANDO O CONCEITO DO OBJETO



REMODELANDO A MATÉRIA:

* cadeira resultado "final atual"




Desvantagens do Sistema Capitalista
O sistema capitalista induz ao desenvolvimento de uma relação efêmera com “as coisas” e com o mundo que nos cerca. Poucas pessoas refletem sobre os impulsos que conduzem suas atividades.
A medida que a economia passa a girar em torno da acumulação do capital, a sociedade caminha por valores focados no consumo de produtos criados no intuito de manter o ciclo de reprodução. Quanto mais rapidamente se consome, em maior quantidade o capital gira e é produzido.
É a obsolescência programada. O prazer que a aquisição de algo proporciona ao indivíduo é facilmente substituído quando outro objeto ou serviço mais atraente aparece. Neste sistema, não interessa a produção de bens duráveis, pois freiam a rápida substituição; tornando o ciclo do capital mais lento e longo.
É preciso considerar que, do modo como se processa o referido sistema, há implicação sobre nós, a sociedade e a natureza.
Essa realidade capitalista, parece ter nos feito esquecer o verdadeiro sentido da matéria: o de estar em constante transformação. Consequentemente gerou acumúlos na Natureza, poluição e principalmente, desperdícios...
O ato de jogar fora e comprar outro novo, se tornou uma perigosa rotina. O descarte é uma característica da sociedade de consumo e está presente nas mais diversas áreas de seu cotidiano.
Até mesmo instituições que outrora eram invioláveis e insubstituíveis como, religião e casamento por exemplo, foram contaminadas por esse fantasma, hoje em dia, não se descarta rapidamente somente "coisas", troca-se de crenças e relacionamentos numa velocidade similar... Vivemos a “era dos descartáveis”....
De acordo com Lipovetsky (1989, p. 175), a sociedade de consumo é desprendida de seus objetos, pois “quanto mais o consumo se desenvolve, mais os objetos se tornam meios desencantados, instrumentos, nada mais que instrumentos: assim caminha a democratização do mundo material”.

Comecei a dar uma atenção especial a algumas teorias e leis do cotidiano. Percebi que, normalmente, não os relacionamos com a vida prática por estarmos condicionados às condições impostas pelo sistema capitalista em voga.
Por exemplo:
A Lei da Conservação das Massas, também conhecida como:
Lei de Lavoisier
De acordo com essa lei, em qualquer sistema, físico ou químico, nunca se cria nem se elimina matéria, apenas é possível transformá-la de uma forma em outra. Portanto, não se pode criar algo do nada nem transformar algo em nada (Na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma).
Logo, tudo que existe provém de matéria preexistente, só que em outra forma, assim como tudo o que se consome apenas perde a forma original, passando a adotar uma outra. Tudo se realiza com a matéria que é proveniente do próprio PLANETA, apenas havendo a retirada de material; podendo muitas vezes ser reutilizado.
Você já parou pra pensar no tanto de coisa que joga fora, descarta, abandona, esquece....E o tanto de coisas que compra e não utiliza, ou usa pouco...
Não existe no Universo uma pessoa que nunca tenha comprado algo por impulso e, ao chegar em casa pensou: Porque comprei isso???
Todo mundo tem “coisas” que não usa mais, ou que enjoou, mas não se desfaz, fica guardando na esperança de precisar um dia, ou até mesmo por preguiça.

Segundo o feng-shui, se não nos livrarmos dos excedentes não abrimos espaço para que o novo entre em nossas vidas. Entretanto, não é descartando que se resolve esse problema.
*cadeira após primeira transformação


Foi então que pensei: Por que não reaproveitar a matéria, remodelar o velho dando a este vida nova?
E assim, começa um prazeroso processo de TRANSFORMAÇÃO, REUTILIZAÇÃO e CRIAÇÃO! Segue alguns exemplos:

Esta cadeira, originalmente, possuia aqueles tampos trançados, feitos com matéria prima natural(como por ex sizal e palha). Porém, ficou no jardim, exposto ao tempo e acabou embolorando.
Primeiramente, encapei com 1 plástico (antiga cortina do boxe do banheiro só pra ressaltar), e pintei as pernas que eram originalmente da cor da madeira de roxo. Durou algum tempo mas, veio a se desintegrar...Ia jogar fora.
Ficou encostada num canto, até que 1 dia, após usar tinta preta para outros fins, aproveitei a sobra e pintei a carcaça!
Certa vez, inventei de criar uns acessórios com retalhos de tiras de tecido. Para isso, fiz um mutirão, coloquei minhas amigas pra me ajudarem a recortar e obtive MUITASSSS tiras que, acabaram sobrando. (confesso que nem fiz os acessórios por fim..rs)
Involuntariamente,comecei a amarrar na cadeira. Cada hr que passava por perto, amarrava mais 1 e assim foi... horasss entrelaçando e dando nós.
Vale ressaltar um detalhe importante: todas estas fases, sempre se deram, na companhia de minha amiga inseparável Mixe Mixe(gata). Ela acabou sendo a determinadora do Conceito final do objeto!
Sempre ao meu lado, ela ficava LOUUUCCCAAA com as tiras de tecido em movimento constante, cada uma que eu amarrava, ela pirava, querendo pegar e brincar...
Já sacudiu 1 tira para 1 gato?
Esse fator contribuiu para a decisão final e derradeira: Fazer a cadeira em homenagem a ela: CADEIRA MIXE MIXE!
Ela adorou e desfruta de seu conforto constantemente! rs

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