sexta-feira, 18 de novembro de 2011

A BIBLIOTECA DE BABEL



A BIBLIOTECA DE BABEL





O UNIVERSO (que outros chamam a Biblioteca)
compõe-se de um número indefinido, e talvez infinito, de galerias hexagonais,
com vastos poços de ventilação no centro, cercados por balaustradas
baixíssimas. De qualquer hexágono, vêem-se os andares inferiores e superiores:
interminavelmente.



A distribuição das galerias é invariável. Vinte
prateleiras, em cinco longas estantes de cada lado, cobrem todos os lados menos
dois; sua altura, que é a dos andares, excede apenas a de um bibliotecário
normal.



Uma das faces livres dá para um estreito
vestíbulo, que desemboca em outra galeria, idêntica à primeira e a todas. À
esquerda e à direita do vestíbulo, há dois sanitários minúsculos. Um permite
dormir em pé; outro, satisfazer as necessidades físicas. Por aí passa a escada
espiral, que se abisma e se eleva ao infinito.



No vestíbulo ha um espelho, que fielmente duplica
as aparências. Os homens costumam inferir desse espelho que a Biblioteca não é
infinita (se o fosse realmente, para quê essa duplicação ilusória?), prefiro
sonhar que as superfícies polidas representam e prometem o infinito…



A luz procede de algumas frutas esféricas que
levam o nome de lâmpadas. Há duas em cada hexágono: transversais. A luz que
emitem é insuficiente, incessante. Como todos os homens da Biblioteca, viajei
na minha juventude; peregrinei em busca de um livro, talvez do catálogo de
catálogos; agora que meus olhos quase não podem decifrar o que escrevo,
preparo-me para morrer; a poucas léguas do hexágono em que nasci.



Morto, não faltarão mãos piedosas que me joguem
pela balaustrada; minha sepultura será o ar insondável; meu corpo cairá
demoradamente e se corromperá e dissolverá no vento gerado pela queda, que é
infinita. Afirmo que a Biblioteca é interminável.

Os idealistas argúem que as salas hexagonais são uma forma necessária do espaço
absoluto ou, pelo menos, de nossa intuição do espaço. Alegam que é inconcebível
uma sala triangular ou pentagonal. (os místicos pretendem que o êxtase lhes
revele uma câmara circular com um grande livro circular de lombada contínua,
que siga toda a volta das paredes; mas seu testemunho é suspeito; suas
palavras, obscuras. Esse livro cíclico é Deus). Basta-me, por ora, repetir o
preceito clássico: “A Biblioteca é uma esfera cujo centro cabal é qualquer
hexágono, cuja circunferência é inacessível”.



A cada um dos muros de cada hexágono correspondem
cinco estantes; cada estante encerra trinta e dois livros de formato uniforme;
cada livro é de quatrocentas e dez páginas; cada página, de quarenta linhas;
cada linha, de umas oitenta letras de cor preta.



Também há letras no dorso de cada livro; essas
letras não indicam ou prefiguram o que dirão as páginas. Sei que essa
inconexão, certa vez, pareceu misteriosa. Antes de resumir a solução (cuja
descoberta, apesar de suas trágicas projeções, é talvez o fato capital da
história), quero rememorar alguns axiomas.



O primeiro: a Biblioteca existe ab aeterno. Dessa
verdade cujo corolário imediato é a eternidade futura do mundo, nenhuma mente
razoável pode duvidar. O homem, o imperfeito bibliotecário, pode ser obra do
acaso ou dos demiurgos malévolos; o Universo, com seu elegante provimento de
prateleiras, de tomos enigmáticos, de infatigáveis escadas para o viajante e de
latrinas para o bibliotecário sentado, somente pode ser obra de um deus.



Para perceber a distância que há entre o divino e
o humano, basta comparar esses rudes símbolos trémulos que minha falível mão
garatuja na capa de um livro, com as letras orgânicas do interior: pontuais,
delicadas, negríssimas, inimitavelmente simétricas.



O segundo: O número de símbolos ortográficos é
vinte e cinco[1]. Essa comprovação permitiu, depois de trezentos anos, formular
uma teoria geral da Biblioteca e resolver satisfatoriamente o problema que
nenhuma conjectura decifrara: a natureza disforme e caótica de quase todos os
livros.



Um, que meu pai viu em um hexágono do circuito
quinze noventa e quatro, constava das letras M C V perversamente repetidas da
primeira linha ate à última. Outro (muito consultado nesta área) é um simples
labirinto de letras, mas a página penúltima diz Oh, tempo tuas pirâmides.



Já se sabe: para uma linha razoável com uma
correta informação, há léguas de insensatas cacofonias, de confusões verbais e
de incoerências. (Sei de uma região montanhosa cujos bibliotecários repudiam o
supersticioso e vão costume de procurar sentido nos livros e o equiparam ao de
procurá-lo nos sonhos ou nas linhas caóticas da mão… Admitem que os inventores
da escrita imitaram os vinte e cinco símbolos naturais, mas sustentam que essa
aplicação é casual, e que os livros em si nada significam. Esse ditame, já
veremos, não é completamente falaz).



Durante muito tempo, acreditou-se que esses
livros impenetráveis correspondiam a línguas pretéritas ou remotas. É verdade
que os homens mais antigos, os primeiros bibliotecários, usavam uma linguagem
assaz diferente da que falamos agora; é verdade que algumas milhas à direita a
língua é dialetal e que noventa andares mais acima é incompreensível.



Tudo isso, repito-o, é verdade, mas quatrocentas
e dez páginas de inalteráveis M C V não podem corresponder a nenhum idioma, por
dialetal ou rudimentar que seja. Uns insinuaram que cada letra podia influir na
subsequente e que o valor de M C V na terceira linha da página 71 não era o que
pode ter a mesma série noutra posição de outra página, mas essa vaga tese não
prosperou. Outros pensaram em criptografias; universalmente essa conjectura foi
aceite, ainda que não no sentido em que a formularam seus inventores.



Há quinhentos anos, o chefe de um hexágono
superior[2] deparou com um livro tão confuso quanto os outros, porém que
possuía quase duas folhas de linhas homogêneas. Mostrou o seu achado a um
decifrador ambulante, que lhe disse que estavam redigidas em português; outros
lhe afirmaram que em iídiche. Antes de um século pôde ser estabelecido o
idioma: um dialeto samoiedo-lituano do guarani, com inflexões de árabe
clássico.



Também decifrou-se o conteúdo: noções de análise
combinatória, ilustradas por exemplos de variantes com repetição ilimitada.
Esses exemplos permitiram que um bibliotecário de gênio descobrisse a lei
fundamental da Biblioteca. Esse pensador observou que todos os livros, por
diversos que sejam, constam de elementos iguais: o espaço, o ponto, a vírgula
as vinte e duas letras do alfabeto.



Também alegou um fato que todos os viajantes
confirmaram: “Não há, na vasta Biblioteca, dois livros idênticos”. Dessas
premissas incontrovertíveis deduziu que a Biblioteca é total e que suas
prateleiras registram todas as possíveis combinações dos vinte e tantos
símbolos ortográficos (numero, ainda que vastíssimo, não infinito), ou seja,
tudo o que é dado expressar: em todos os idiomas.



Tudo: a história minuciosa do futuro, as
autobiografias dos arcanjos, o catálogo fiel da Biblioteca, milhares e milhares
de catálogos falsos, a demonstração da falácia desses catálogos, a demonstração
da falácia do catalogo verdadeiro, o evangelho gnóstico de Basilides, o
comentário desse evangelho, o comentário do comentário desse evangelho, o
relato verídico de tua morte, a versão de cada livro em todas as línguas, as
interpolações de cada livro em todos os livros; o tratado que Beda pôde
escrever (e não escreveu) sobre a mitologia dos saxões, os livros perdidos de
Tácito.



Quando se proclamou que a Biblioteca abarcava
todos os livros, a primeira impressão foi de extravagante felicidade. Todos os
homens sentiram-se senhores de um tesouro intacto e secreto. Não havia problema
pessoal ou mundial cuja eloquente solução não existisse: em algum hexágono. o
Universo estava justificado, o Universo bruscamente usurpou as dimensões
ilimitadas da esperança.

Naquele tempo falou-se muito das Vindicações: livros de apologia e de profecia,
que para sempre vindicavam os actos de cada homem do Universo e guardavam
arcanos prodigiosos para seu futuro. Milhares de cobiçosos abandonaram o doce
hexágono natal e precipitaram-se escadas acima, premidos pelo vão propósito de
encontrar sua Vindicação.



Esses peregrinos disputavam nos corredores
estreitos, proferiam obscuras maldições, estrangulavam-se nas escadas divinas,
jogavam os livros enganosos no fundo dos túneis, morriam despenhados pelos
homens de regiões remotas. Outros enlouqueceram… As Vindicações existem (vi
duas que se referem a pessoas do futuro, a pessoas talvez não imaginarias) mas
os que procuravam não recordavam que a possibilidade de que um homem encontre a
sua, ou alguma pérfida variante da sua, é computável em zero.



Também se esperou então o esclarecimento dos
mistérios básicos da humanidade: a origem da Biblioteca e do tempo. É verosímil
que esses graves mistérios possam explicar-se em palavras: se não bastar a
linguagem dos filósofos, a multiforme Biblioteca produzirá o idioma inaudito
que se requer e os vocabulários e gramáticas desse idioma. Faz já quatro
séculos que os homens esgotam os hexágonos…



Existem investigadores oficiais, inquisidores. Eu
os vi no desempenho de sua função: chegam sempre estafados; falam de uma escada
sem degraus que quase os matou; falam de galerias e de escadas com o
bibliotecário; ás vezes, pegam o livro mais próximo e o folheiam, á procura de
palavras infames. Visivelmente, ninguém espera descobrir nada.



A desmedida esperança, sucedeu, como e natural,
uma depressão excessiva. A certeza de que alguma prateleira em algum hexágono
encerrava livros preciosos e de que esses livros preciosos eram inacessíveis
afigurou-se quase intolerável. Uma seita blasfema sugeriu que cessassem as
buscas e que todos os homens misturassem letras e símbolos, até construir,
mediante um improvável dom do acaso, esses livros canônicos.



As autoridades viram-se obrigadas a promulgar
ordens severas. A seita desapareceu, mas na minha infância vi homens velhos que
demoradamente se ocultavam nas latrinas, com alguns discos de metal num fritilo
proibido, e debilmente arremedavam a divina desordem.

Outros, inversamente, acreditaram que o primordial era eliminar as obras
inúteis. Invadiam os hexágonos, exibiam credenciais nem sempre falsas,
folheavam com fastio um volume e condenavam prateleiras inteiras: a seu furor
higiênico, ascético, deve-se a insensata perda de milhões de livros. Seu nome é
execrado, mas aqueles que deploram os “tesouros” destruídos por seu frenesi
negligenciam dois fatos notórios.



Um: a Biblioteca é tão imensa que toda redução de
origem humana resulta infinitesimal. Outro: cada exemplar é único,
insubstituível, mas (como a Biblioteca é total) há sempre várias centenas de
milhares de fac-símiles imperfeitos: de obras que apenas diferem por uma letra
ou por uma virgula. Contra a opinião geral, atrevo-me a supor que as
consequências das depredações cometidas pelos Purificadores foram exageradas
graças ao horror que esses fanáticos provocaram. Urgia-lhes o delírio de
conquistar os livros do Hexágono Carmesim: livros de formato menor que os
naturais; onipotentes, ilustrados e mágicos.



Também sabemos de outra superstição daquele
tempo: a do Homem do Livro. Em alguma estante de algum hexágono (raciocinaram
os homens) deve existir um livro que seja a cifra e o compêndio perfeito de
todos os demais: algum bibliotecário o consultou e é análogo a um deus.



Na linguagem desta área persistem ainda vestígios
do culto desse funcionário remoto. Muitos peregrinaram á procura d’Ele. Durante
um século trilharam em vão os mais diversos rumos. Como localizar o venerado
hexágono secreto que o hospedava? alguém propôs um método regressivo: Para
localizar o livro A, consultar previamente um livro B, que indique o lugar de
A; para localizar o livro B, consultar previamente um livro C, e assim até o
infinito…



Em aventuras como essas, prodigalizei e consumi
meus anos. Não me parece inverosímil que em alguma prateleira do Universo haja
um livro total; rogo aos deuses ignorados que um homem – um só, ainda que seja
há mil anos! – o tenha examinado e lido. Se a honra e a sabedoria e a
felicidade não estão para mim, que sejam para outros. Que o céu exista, embora
meu lugar seja o inferno. Que eu seja ultrajado e aniquilado, mas que num
instante, num ser, Tua enorme Biblioteca Se justifique.



Afirmam os ímpios que o disparate é normal na
Biblioteca e que o razoável (e mesmo a humilde e pura coerência) é quase
milagrosa exceção. Falam (eu o sei) de “a Biblioteca febril, cujos fortuitos
volumes correm o incessante risco de transformar-se em outros e que tudo
afirmam, negam e confundem como uma divindade que delira”.



Essas palavras, que não apenas denunciam a
desordem mas que também a exemplificam, provam, evidentemente, seu gosto
péssimo e sua desesperada ignorância. De fato, a Biblioteca inclui todas as
estruturas verbais, todas as variantes que permitem os vinte e cinco símbolos
ortográficos, porém nem um único disparate absoluto. Inútil observar que o
melhor volume dos muitos hexágonos que administro intitula-se Trono Penteado, e
outro A Cãibra de Gesso e outro Axaxaxas mlö.



Essas proposições, à primeira vista incoerentes,
sem dúvida são passíveis de uma justificativa criptográfica ou alegórica; essa
justificativa é verbal e, ex hypothesi, já figura na Biblioteca. Não posso
combinar certos caracteres

dhcmrlchtdj

que a divina Biblioteca não tenha previsto e que em alguma de suas línguas
secretas não contenham um terrível sentido. Ninguém pode articular uma sílaba
que não esteja cheia de ternuras e de temores; que não seja em alguma dessas
linguagens o nome poderoso de um deus. Falar é incorrer em tautologias.



Esta epístola inútil e palavrosa já existe num
dos trinta volumes das cinco prateleiras de um dos incontáveis hexágonos – e
também sua refutação. (Um numero n de linguagens possíveis usa o mesmo
vocabulário; em alguns, o símbolo biblioteca admite a correta definição ubíquo
e perdurável sistema de galerias hexagonais, mas biblioteca é pão ou pirâmide
ou qualquer outra coisa, e as sete palavras que a definem tem outro valor.
Você, que me lê, tem certeza de entender minha linguagem?)



A escrita metódica distrai-me da presente
condição dos homens. A certeza de que tudo está escrito nos anula ou nos
fantasmagórica. Conheço distritos em que os jovens se prostram diante dos
livros e beijam com barbárie as páginas, mas não sabem decifrar uma única
letra.

As epidemias, as discórdias heréticas, as peregrinações que inevitavelmente
degeneram em bandoleirismo, dizimaram a população. Acredito ter mencionado os
suicídios, cada ano mais frequentes. Talvez me enganem a velhice e o temor, mas
suspeito que a espécie humana – a única – está por extinguir-se e que a
Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel,
armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta.



Acabo de escrever infinita. Não interpolei esse
adjetivo por costume retórico; digo que não é ilógico pensar que o mundo é
infinito. Aqueles que o julgam limitado postulam que em lugares remotos os
corredores e escadas e hexágonos podem inconcebivelmente cessar – o que é
absurdo. Aqueles que o imaginam sem limites esquecem que os abrange o número
possível de livros.



Atrevo-me a insinuar esta solução do antigo
problema: A Biblioteca é ilimitada e periódica. Se um eterno viajante a
atravessasse em qualquer direção, comprovaria ao fim dos séculos que os mesmos
volumes se repetem na mesma desordem (que, reiterada, seria uma ordem: a
Ordem). Minha solidão alegra-se com essa elegante esperança.





terça-feira, 27 de julho de 2010

Contrariando esse tal de Murph

Quem foi Murphy

Há várias versões, mas a mais difundida - contada no livro Uma História da Lei de Murphy, de Nick Spark, ainda inédito no Brasil - é a de que o autor do famoso "se algo pode dar errado, vai dar errado" é Edward A. Murphy Jr., major e engenheiro da Força Aérea americana na década de 1940. A frase foi formulada após um acontecimento típico da futura "lei": em um experimento para testar a tolerância humana à aceleração da gravidade, um técnico tinha que encaixar 16 medidores de aceleração em uma máquina e, por força de uma "lei" até então inominada, não acertou a posição de nenhum. Foi então que Murphy disse a tal frase ("se algo pode dar errado...") e seu colega John Stapp, um major com visão de publicitário, decretou a criação da "Lei de Murphy". Hoje, a lei foi "adaptada" para diversas áreas da vida, como, por exemplo: "A probabilidade de você encontrar uma garota bonita aumenta se você está com a namorada"; "Se você joga fora alguma coisa que tem há muito tempo, você vai precisar dela logo"; "Ninguém nunca está ouvindo, até você falar uma besteira"; "Toda vez que um incompetente se demite é substituído por alguém mais incompetente ainda" etc. Em 2003, a famosa "lei" ganhou o prêmio IgNobel, concedido a invenções consideradas inúteis. A homenagem (às avessas) póstuma foi recebida pelo filho do engenheiro.


Decidi que agora toda vez que der na telha, vou postar 1 lei de Murph e colocar 1 nova interpretação, para provar que esse tal de Murph era um depressivo. Aliás ele deve ter sido o percursor dessa doença que tão tendência se tornou na atualidade!
Por exemplo, essa típica aí: "Se algo pode dar errado, vai dar errado!" É que não sabíamos o contexto mas, na verdade, o que se passou foi que; ele já sabia que iria dar errado antes mesmo de fazer, pois era óbvio. Só tonto que não via! Hellooo, não tem como contrariar a lei da gravidade, até uma criança sabe disso!
Mas ele pirou, gastou uma grana com a experiência, passou carão,teve que inventar uma desculpa e ainda encanou todo mundo! Com isso conseguiu desviar todos do foco principal: Que ele gastou dinheiro à toa! E ainda por cima, se tornou celebridade!!!!Esperto na verdade admito!

domingo, 18 de julho de 2010

Referências, inspirações, chaves...

Essa imagem por exemplo, outrora seria vista como um pedaço de pau com um tampo em cima, mas no "reinado do conceito" posso dizer que é feita com madeira de um àrvore que estava caida no centro da floresta encantada...Que possui poder de relaxar quem nela sentar, no meio da floresta irá se imaginar....E com isto, transforma a existência não só das coisas e objetos como também de seus usuários.
Jogos e a informática em geral muito contribuem para mostrar novos ângulos de visão e novas probabilidades de realidade.
Hoje em dia as pessoas aceitam mais esse termo, almejam para suas empresa, negócios e vida, mesmo que alguns não entendam muito o que é, reconhecem sua necessidade e importância!
Mesmo que despercebidamente para muitos, o "Conceito de vida" está aos poucos passando por transformações, cada vez mais as pessoas estão aceitando sua importância e usando em sua vida cotidiana, lembro quando entrei na faculdade a dificuldade que era pra explicar pras pessoas que roupa tinha toda uma pesquisa, uma historiade ser, uma simbologia, UM CONCEITO,muitos riam da minha cara.

O artista Paul Klee disse certa vez: "O objeto expande-se além dos limites de sua aparência pelo conhecimento que temos do que ele significa mas do que o que vemos exteriormente com nossos olhos."


Fomos condicionados a ver tudo com olhos obvios, e se um espelho, uma porta, um portão, um desenho, um livro, for mais que somente isso...


Este foco de visão vem aos poucos sendo introduzido na sociedade. Tudo começou a partir do momento que o CONCEITO entrou em nossas vidas.


Quando se dá um conceito a algo cria-se um mundo particular, transforma a realidade do objeto, lhe dá 1 significação, um porque de ser, lhe dá uma vida particular e poder de influenciar.


Em seu livro O Homem e seus símbolos, Jung observa que: "A história do simbolismo mostra que tudo pode assumir uma significação simbólica. De fato, todo o Cosmos é um símbolo em potencial."



E no decorrer dos tempos muitos observaram que era possivel vislumbrar, ao menos por momentos, algo novo, tudo depende do foco.




Você pode olhar pra um espelho e ver somente seu reflexo, ou pode olhar pra ele e ver um portal, esse portal pode levá-lo a um paraíso ou a um pesadelo, a história na verdade já está pré-formada em sua cabeça, segundo seus conceitos, crenças, filosofias, a suas rotinas e costumes.




Van Gogh observou que "A conduta humana, se parece muito com o desenho. A perspectiva se altera, quando o olho muda de posição. Não depende do objeto e sim de quem está olhando."




Num de seus relatos observou: "Nas asas do amor a alma anseia por voar "para casa"; para o mundo das idéias. Ela quer se libertar da prisão do corpo."





Platão com sua Alegoria da Caverna já havia defendido a existência de uma "Realidade Ideal" de uma "Forma Perfeita". Dizia que o ser humano no estado que se encontra somente visualiza sombras, vultos da realidade ideal, mas que todos tem como objetivo evoluir para tal.






Jostein Gaarder em seu clássico Mundo de Sophia observou: "Somos deixados num mundo maravilhoso, encontramo-nos com outras pessoas, somos apresentados uns aos outros e caminhamos juntos durante algum tempo. Depois nos separamos e desaparemos tão rápido e inexplicavelmente quanto surgimos." Como se nos perguntasse: Será que é só isso? Tão sem emoção?







O mundo Imaginário do Dr. Parnassus

Detalhe que esqueci de comentar: Artaud ia pirar nesse filme, tenho certeza!

E, como sou meu Dr. Parnassus no modo de encarar as coisas, interpretei que esse filme foi mandado pra mim, feito sob medida pra minha pessoa, kkkk, mas é, um sinal, por isso, ele é a primeira referência que os apresento da nova coleção que farei para Basic, verão...Aguardem!
Tudo isso é muito minha cara, além da Lili Cole, que sempre foi minha modelo preferida desde que iniciei o curso de moda. A história, os ensiamentos, os signos, o elenco, a cenografia, e até a magia de vários atores como se fosse um são incrivelmente símbolicos na minha vida...
Além de ser total tendência essa história de surrealismo, e dos portais como o filme Alice de Tim Burton vem comprovar e todo cenário atual.
Isso se dá ao fato de nossa atualidade ser simbolicamente uma época de "transformações', carregada de conceitos de mudança de focos de visão, e profecias de novidades com a chegada do ano de 2012.


O filme proporciona ao espectador o despertar de um novo foco de visão, e o estimula a repensar nos conceitos de real...

Como diria Aldous Huxley: "Quando as portas da percepção forem limpas, tudo parecerá infinito."

Dr. Parnassus ajuda as pessoas a compreenderem que o mundo é muito mágico e incrível, e que elas que complicam e só focam no lado ruim e banal.


Parnassus, no meio de todas as viagens entre o mundo imaginário e o banal, ainda consegue encontrar espaço para fazer crítica às pessoas que estão sempre atrasadas a ponto de deixar de sonhar. Sua mente funciona em uma frequência diferente, seus sonhos são mais coloridos, seus devaneios mais sinistros....



No filme, o Dr Parnassus tem o dom de inspirar a imaginação das pessoas. Dono de uma companhia de teatro itinerante ele oferesse a chance de transceder a realidade e entrar em um Universo sem limites, o qual pode ser alcançado ao atravessar um espelho mágico.




Confesso que assisti várias vezes e só depois de muitas que percebi que eram vários atores para o mesmo papel...Na verdade, percebia, isso até gerou uma discussão um dia em casa com amigos, mas não compreendíamos até nos informarmos do fato.

















É um filme independente de fantasia dirigido e escrito por Terry Gilliam. Christopher Plummer, Tom Waits, Lili Cole e Heath Ledger participam do elenco; a morte de Ledger, que havia filmado cerca de um terço de suas cenas fez com que a produção fosse suspensa temporariamente.

Para encarar esse personagem foram escalados Jonny Deep, Jude Law e Colin Farrell, que dão vida a Tony à medida que ele viaja pelo mundo dos sonhos....







terça-feira, 13 de julho de 2010

DIA DO ROCK






“Seria difícil avaliar a influência do rock sobre o estilo do século XX, mais que o cinema ou a indústria da moda o rock teve um impacto considerável sobre o domínio visual. O mundo da beleza apriou-se dele.” (Richard Martin – Curador do Costume institute of Metropolitan)

A partir dos anos 90 o domínio do rock na moda faz-se aparente, desfiles são organizados como shows, criadores, como Calvin Klein escolhem estrelas do rock como modelos para seus editoriais.

Georgia May Jagger (Filha de Mick Jagger)

Como o rock exerce tanta influência sobre o estilo e a beleza da virada do século: Com seus artistas, cujo glamour , diversidade, senso de provocações e temas que respondem ao espírito de nossa época. Se um rosto precisa ser belo pra seduzir, deve ser mais que uma fachada e simbolizar algo maior, algo que toca a alma. A música é rica de emoções, pensamentos e paixões, algo que um rosto isolado é incapaz de transmitir. Daí essas produções que copiam o rock. E aí o aparecimento de um novo público, não aquele que consome desenfreadamente, simplesmente por consumir, mais um público sedento de “algo mais”.

Liv Tyler (filha do cantor Steven Tyler)

Com a chegada do novo milênio, depois de meio século dedicado a problemas sociais do racismo, puritanismo, dos direitos das mulheres, da pobreza, etc., a aparência passa por transformações – desconstrucionismo, antibeleza, look heroína, influências multiculturais, nos fizeram evoluir neste clima pós-moderno antes de encontrar um novo equilíbrio.
Hoje, como nunca antes, a beleza é plural e se define individualmente. O efeito dessa busca de si mesmo e o trajeto percorrido ao longo dos séculos se fazem visíveis.

Peaches and Pixie filhas do cantor e produtor Live Aid Bob Geldof

Esse estilo individual de que nossos contemporâneos são adeptos, só se desenvolveu a partir dos anos 60. Hoje é preciso enfrentar um vasto leque de escolhas para satisfazer o desejo de parecer único e o rock and roll se enquadrou perfeitamente no estilo de vida atual! E aquilo que outrora fora agressivo, subversivo e contestador é absorvido pelo mundo mágico da tendência e torna-se referência de estilo não só na moda como em todos os âmbitos.
E vem então a comprovação daquela velha história de que “tudo, tudinho nesse mundo está sujeito às mudanças. Símbolos que foram tidos como negativos como a caveira, transformam-se em ícones de luxo e amuletos da sorte!


Filha de Joe Walsh, guitarrista da banda Eagles


É isso o que eu amo na moda, o poder de estar o tempo todo transmutando a visão das coisas e comprovando que nada é bom ou ruim, o que depende é o foco de visão do expectador!
E as provas de que o rock é uma das tendências mais fortes da atualidade estão o tempo todo pipocando por aí:
Kelly Osbourne

Filhas de roqueiros viram modelos ícones do momento, seus looks são referência de estilo, não só os looks, mas é um “estilo”, uma “essência” que o consumidor busca.
Roqueiros e astros da música lançam coleções em parceria com grandes marcas viram modelos e inspiram a moda, as artes, a decoração, o design...a vida!

Stella Mccartney

O rock nunca esteve tão “limpeza” como agora, por exemplo, antigamente, levar um amigo tatuado em casa era “sujo” a família criticava, hoje em dia, é chique....Adoro!
E hoje, no Dia Internacional do Rock, gostaria de parabenizá-lo pela sua evolução e conquista, de discriminado e criticado ao posto de Grande Senhor da atualidade, aquele que dita às regras que ajuda na construção dos gostos e tendências.

Mecanica Quantica

domingo, 4 de julho de 2010

Mark Ryden

O norte americano Mark Ryden, é uma dos mais respeitados artistas do mundo underground. Exótico e bizarro, desenhou capas de discos como Red Hot Chilli Pepper e Stones.


Em sua artre une a inocência com o sinistro e polêmico.

Podemos encontrar crianças, carne, sangue, esqueletos, brinquedos antigos....



"O que há de revoltante num estilo de vida individual - as pessoas se irritam com aqueles que adotam padrões de vida muito individuais, elas se sentem humilhadas, reduzidas a seres ordinários, com o tratamento estraordinário que eles dispensam si mesmos." (Mark Ryden)



Autismo pode ser fruto da evolução biológica do cérebro humano, dizem cientistas Transtorno começa a ser reavaliado como um possível produto da seleção de habilidades cognitivas

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